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Crianças indígenas migrantes celebram a graduação do ano escolar em cerimônia cheia de emoção

 

20181219_163855No último mês de dezembro, as crianças venezuelanas migrantes que vivem no abrigo indígena Pintolândia, em Boa Vista, tiveram uma tarde especial e cheia de emoção. Elas se arrumaram, vestiram as melhores roupinhas e reuniram os familiares para participarem de uma formatura simbólica de graduação escolar.

A cerimônia, realizada pela Visão Mundial Brasil em parceria com o Unicef e a ONG Casa de los Ninõs, presenteou 120 crianças e adolescentes das etnias warao e e’ñepá com certificados de conclusão do ano escolar de 2018. Todos os formandos estudam na escola do abrigo, que possui três salas de aula e um espaço de convivência que atende crianças e adolescentes de 4 a 14 anos de idade com aulas de língua portuguesa, espanhol, identidade cultural e atividades extra-curriculares, como artesanato, música e passeios recreativos.

Além disso, também é oferecida no local uma turma de alfabetização de jovens de 15 a 18 anos. O principal objetivo da graduação simbólica foi incentivar e envolver os pais indígenas na educação dos filhos, para que eles se apropriem da escola como um local de desenvolvimento e inclusão das crianças em situação de migração. 

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Para Graziela Camargo, coordenadora da Visão Mundial no abrigo Pintolândia, as crianças indígenas migrantes precisam de uma educação diferenciada, pois a língua materna e a cultura fazem parte da identidade delas e de suas raízes históricas. “É de extrema importância o investimento em uma educação intercultural diferenciada, porque essas crianças indígenas sofrem preconceito e violência, como o bullying, por não se adaptarem ao sistema de educação formal”, explicou Graziela.

Além do projeto de educação para as crianças indígenas migrantes, a Visão Mundial atua em Advocacy através da construção de um projeto político-pedagógico de acordo com as necessidades dessas crianças, realizando articulações com a Secretaria de Educação e o Ministério Público, para dar início a um processo de educação formalizado e reconhecido pelos governos.


Durante as atividades da resposta à emergência da crise migratória venezuelana em Roraima, a Visão Mundial continua a solidificar sua presença operacional, além de estreitar os laços das parcerias já existentes com as agências da ONU, Governo de Roraima e iniciativas locais, para uma resposta colaborativa em apoio aos venezuelanos que estão vivendo dentro e fora dos abrigos públicos do Estado.

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Nos sete meses do projeto de emergência, a resposta da Visão Mundial Brasil tem beneficiado indiretamente 33.924 pessoas, e alcançado diretamente 11.308 crianças e jovens de 3 a 12 anos, com apoio psicopedagógico e atividades oferecidas nos Espaços Amigáveis e nos abrigos públicos de Roraima.

O projeto visa proteger crianças e adolescentes migrantes que vivem no estado de Roraima como resultado da grave crise econômica, política e social na Venezuela, dando especial atenção às meninas e mulheres, trabalhando em conjunto com parceiros em potencial e ajudando governos e outros atores na prestação de assistência humanitária e proteção à infância.