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Curso de empreendedorismo realizado pela Visão Mundial capacita migrantes venezuelanos

 

20181218_194209-1Após a chegada ao Brasil, trazidos pela grave crise econômica e política que impacta a Venezuela, uma das mais temidas dificuldades enfrentadas pelos venezuelanos é o desemprego. Os migrantes que vivem em Roraima precisam procurar alternativas para se sustentar no novo País, e por não terem acesso à oportunidades no mercado de trabalho local, muitos deles buscam uma chance no empreendedorismo para ter uma garantia de renda.

Para auxiliar os venezuelanos no processo de inserção no mercado de trabalho brasileiro, nos meses de novembro e dezembro de 2018, a Visão Mundial Brasil ofereceu um curso de empreendedorismo com o objetivo de proporcionar novas perspectivas de geração de renda para 69 migrantes venezuelanos. A capacitação foi realizada em parceria com a OIM Brasil (Organização Internacional de Migração da ONU) e o apoio do SEBRAE e ONG Pirilampos.

O curso proporcionou aos migrantes venezuelanos uma oportunidade de montar o próprio negócio, conhecendo como funcionam as leis trabalhistas no Brasil. Além dos aspectos de gestão, marketing e a própria elaboração do plano de negócios, os venezuelanos tiveram treinamento sobre o MEI - Microempreendedor individual.

20181221_180320O workshop Empreendedorismo: Trilhando um Novo Futuro foi o momento culminante do curso, onde os 30 melhores planos de negócios elaborados pelos migrantes foram apresentados para uma banca avaliadora e escolhidos para receberem apoio financeiro de R$ 1.000 reais através de equipamentos e matéria-prima para dar início aos negócios. Os demais participantes receberam um incentivo de R$ 150 reais.

Uma das participantes do workshop “Trilhando um novo futuro” que ganhou entre os 30 melhores negócios é a agrônoma Amália Gisela, 51 anos. “Precisei sair do meu país porque não tinha segurança nenhuma, todos os dias era roubada, praticamente não tinha alimentos e a saúde era muito precária”, conta. Amália participou do curso de empreendedorismo e trabalha com a venda de frutas desidratadas.  Ela falou sobre a diferença que a capacitação teve em sua vida: “Eu já vendia meus produtos, mas não tinha registro como empresa e hoje tenho outra visão sobre meu negócio”.

Outro exemplo é a empreendedora Jeruska Debess, 21 anos. Ela é venezuelana e está no Brasil há 10 meses. A doceira, que precisou parar a faculdade de pedagogia, conta que deixou seu país por conta da crise econômica e pela falta de segurança. Para ter uma renda financeira, começou vendendo doces nas ruas de Roraima, mas sentiu dificuldades e pausou o negócio por um tempo. “Não sabia falar bem com as pessoas e nem como fazer minhas vendas terem lucro, mas tudo mudou com o curso, aprendi a ser uma empreendedora, a vender melhor, a controlar meus materiais, a me comunicar e até fazer parcerias”, contou Jeruska, proprietária do “Donuts Fantasy”.

20181219_170241A “Cia de Eventos Só Rindo” nasceu depois de uma longa caminhada. Manuel Carvajal, 30 anos, é palhaço profissional há 10 anos. Ele contou que saiu da Venezuela pela dificuldade de cuidar do filho com então três meses e por não conseguir exercer sua profissão no país. “As comidas eram muito caras e quase não tinha nada. Tinha minha empresa de recreação, mas ninguém estava me chamando, até meu trabalho artesanal eu não conseguia fazer porque não tinha materiais para comprar”, afirma.

Depois de enfrentar várias dificuldades quando chegou ao Brasil, em agosto de 2017, Manuel trabalha hoje com o que mais gosta: fazer as crianças sorrirem. “Trabalhei no Brasil limpando quintais e como ajudante de pedreiro, foi quando conheci a ONG Pirilampos, onde pude ser voluntário, e por meio dela cheguei à Visão Mundial que me ajudou a fazer o curso de empreendedorismo. Aprendi a dar valor ao meu trabalho e hoje já tenho todos os materiais como caixa de som, bambolês, cordas, tudo que preciso pra fazer recreação em vários lugares, inclusive nos abrigos de migrantes. É muito bom poder levar alegria às crianças que estão em situações difíceis como já estive”, afirma.

Para a gerente de projetos da Visão Mundial Brasil, Renata Cavalcanti, “a Visão Mundial junto com a OIM Brasil e outros parceiros, tem proporcionado uma verdadeira mudança na qualidade de vida dos participantes do curso de empreendedorismo. Esse projeto trouxe oportunidades concretas de pertencimento e valorização. O que estamos vivenciando com essas oficinas tem sido uma grande troca de vida, perseverança, conhecimento e de acreditar que mesmo diante de todas as adversidades, é possível traçar caminhos mais justos e melhores para os migrantes venezuelanos”, afirmou Renata.

Ações como essa acontecem simultaneamente com a operação da Visão Mundial que alcança crianças e famílias venezuelanas no estado de Roraima. Para conhecer e fazer parte do projeto de emergência da Visão Mundial com os migrantes venezuelanos no Brasil, acesse o link: https://visaomundial.org/refugiados.