Visão Mundial mantém assistência e proteção a milhares de crianças mesmo durante a pandemia

Desde o início da pandemia, a Visão Mundial voltou todas as suas operações no Brasil para responder à emergência de COVID-19. A resposta inclui ações em diversos níveis, de distribuição de alimentos e itens de primeira necessidade a aconselhamentos terapêuticos. Entre essas frentes de resposta está também o contato, mesmo que virtual, com as mais de 20 mil crianças e famílias atendidas em seus programas dos territórios.

Com o distanciamento social, muitas crianças e adolescentes acabaram perdendo o contato com as redes de proteção que mantinham – com avós, professores e cuidadores, por exemplo. Na tentativa de garantir a proteção de crianças e adolescentes mais vulneráveis, a Visão Mundial desenvolveu mecanismos alternativos, com materiais lúdicos e educativos, ferramentas de suporte e canais de denúncia.

“A primeira estratégia para alcançar as crianças foi a das Caixas de Ternura. Entendemos que, além de atender as famílias com as cestas básicas e os kits de higiene e prevenção à Covid-19, precisávamos contribuir com as crianças para que continuassem tendo atividades pedagógicas e lúdicas. E que também as famílias tivessem algum recurso para trabalhar com as crianças questões voltadas ao equilíbrio emocional”, conta Andrea Freire, gerente de operações de emergência da Visão Mundial.

Materiais da Caixa de Ternura encantaram e garantem atividades durante a pandemia a Alana e Robert, de Salvador (Foto: Arquivo pessoal)

“No primeiro momento foi um choque, por que algumas dessas crianças moram com seus agressores e a gente se reuniu e pensou como seriam essas estratégias diante da pandemia. E mais uma vez a Visão Mundial veio nos orientar e trouxe a Caixa de Ternura, que vem com objetos e diz para a criança ‘nós estamos afastados, mas vocês sempre serão as nossas prioridades’. Eu acho que foi o toque que a gente precisava para, mesmo de longe, dizer para essas crianças o quanto elas são importantes para o nosso projeto”, conta Sonia Dias Ribeiro, líder comunitária e coordenadora do Conexão Escola, da Visão Mundial, no bairro de Santa Luzia, em Salvador (BA).

Quebra de rotina

Antes da pandemia, as atividades nos programas da Visão Mundial, como o Conexão Escola em Santa Luzia, incluíam oficinas literárias, construção de brinquedos, atividades presenciais voltadas para a construção de identidade e pertencimento com crianças e adolescentes, entre outras. São ações que a Visão Mundial realiza junto às escolas e em parceria com organizações e associações de bairros para promover as redes de apoio entre pais, educadores e crianças. Com a pandemia, além da interrupção das aulas tradicionais, essas atividades presenciais também foram pausadas, sobrecarregando pais e cuidadores na mudança de rotinas.

Foi o que aconteceu na casa de Analice, mãe de Alana e Robert, de 7 anos. “Antes da pandemia a rotina deles era na escola, brincar na rua com outras crianças, andar de bicicleta, participavam de projetos na associação do bairro, iam à praia e sempre à casa da avó no fim de semana. Hoje a rotina é completamente diferente. Com essa pandemia, a gente fica em casa e eles brincam só os dois mesmo, leem, desenham, assistem TV, a rotina toda é dentro de casa”, conta. “Quando eles receberam a Caixa de Ternura, foi uma felicidade só. Foi uma novidade. Veio uma Bíblia para crianças que eles ficaram apaixonados. Eles estão sempre lendo no cantinho deles e virou a nossa leitura da noite no quarto”.

Desenho compartilhado por uma das famílias atendidas remotamente pela Visão Mundial durante a pandemia, em alusão ao Dia Mundial contra o Trabalho Infantil

Contato e monitoramentos constantes, mesmo a distância

Além do recebimento da Caixa de Ternura, a família de Analice, assim como as demais dos programas da Visão Mundial, segue sendo acompanhada por educadoras. O contato acontece por WhatsApp e ligações, e serve tanto para acompanhar o desenvolvimento e a situação em que as crianças estão vivendo durante a pandemia, quanto para enviar sugestões de atividades que reforcem a ternura, a atenção e o cuidado.

Mas nem sempre o acompanhamento é para dar dicas. Com a pandemia, muitas crianças e adolescentes passaram a conviver mais com agressores e perderam o contato diário com as redes de proteção. Foi pensando nessa necessidade que a Visão Mundial tem aperfeiçoado um canal de monitoramento e denúncia.

“O projeto do WhatsApp para denúncias ainda está em processo de implementação, mas será mais um canal pelo qual as famílias e até as próprias crianças poderão reportar casos de violação”, explica Andrea Freire. A partir da denúncia, a organização, por meio das comissões de proteção e participação, encaminha a denúncia ao Conselho Tutelar e demais órgãos competentes para que as famílias possam ser assistidas e para assegurar com que as crianças, mesmo em isolamento social, tenham seus direitos assegurados.

Texto: Ana Luz / Visão Mundial Brasil
Foto de capa: Bruno Itan / Visão Mundial Brasil