Vidas de 30 milhões de crianças estão em risco por impactos secundários da COVID-19

Por World Vision International

Embora não estejam no grupo de risco da COVID-19, milhões de crianças em todo o mundo podem sofrer com consequências secundárias da pandemia, como insegurança alimentar e outras doenças. O cenário poderá ser agravado por sistemas de saúde saturados e contingentes significativos em extrema pobreza. É o que revela o estudo COVID-19 Aftershocks, divulgado nesta quarta-feira (8) pela World Vision.

O relatório analisou os impactos secundários devastadores sobre as crianças do contágio do Ebola entre 2014 e 2016, e a partir daí, gerou um modelo que projeta o que aconteceria na atual crise de saúde. O relatório enfoca as consequências esperadas nas 24 nações mais frágeis incluídas na resposta humanitária das Nações Unidas à COVID-19 – Afeganistão, Burkina Faso, Burundi, Camarões, República Centro-Africana, Chade, Colômbia, República Democrática do Congo, Etiópia, Haiti, Iraque, Líbia, Mali, Mianmar, Níger, Nigéria, Território Palestino Ocupado, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Síria, Ucrânia, Venezuela e Iêmen.

Segundo o relatório, a vida de cerca de 30 milhões de crianças em todo o mundo pode sofrer com os impactos secundários da pandemia. Destas, 26 milhões podem sofrer com a ausência de vacinas para doenças letais; 5 milhões podem sofrer com desnutrição (aumentando em 40% os níveis atuais em todo o mundo) e cerca de 100 mil podem morrer de malária – na possibilidade, inclusive, da mesma criança sofrer duplamente os efeitos da crise sanitária.

BRASIL NA RESPOSTA GLOBAL

Embora o Brasil não esteja na lista da ONU como uma das 24 nações mais vulneráveis, figura entre os 17 países onde estão sendo realizadas ações prioritárias no combate e prevenção à COVID-19 pela World Vision em todo o mundo. A resposta global da World Vision à pandemia (COVER – Covid-19 Emergency Response) toma como prioridade os locais onde as necessidades humanas devem crescer exponencialmente, como os que estão em contextos de conflitos e onde há restrições de circulação de pessoas, bens e serviços. Assim, toma como foco de resposta de emergência locais onde já existiam situações de vulnerabilidade e de fragilidade, colocando crianças em maior risco – contextos afetados por conflitos, favelas, refugiados e pessoas em deslocamento.

Inicialmente, a resposta a estes 17 países angariou US$ 80 milhões com a intenção de alcançar 22,5 milhões de pessoas, a maioria crianças. Após o Plano Global, a World Vision também anunciou um investimento de US$ 24 milhões apenas na América Latina e Caribe, destinado a impedir a propagação do contágio e fortalecer os sistemas institucionais de saúde em 15 países da região.

No Brasil, os esforços desde o anúncio da pandemia caminham em três frentes. A primeira é a promoção de medidas informativas para diminuir a propagação do vírus dentro das comunidades e projetos, nas áreas onde a Visão Mundial já atua. As outras são o apoio aos sistemas de saúde e aos trabalhadores, e o suporte para crianças afetadas pela COVID-19 a partir de diferentes setores. Complementarmente, a organização segue na resposta à migração venezuelana na Região Norte do País, uma vez que as populações migrantes estão entre os grupos que mais irão sentir os efeitos devastadores da pandemia.

Neste sentido, ainda em março, a Visão Mundial Brasil lançou a campanha Juntos pelas crianças contra a COVID-19, onde tem arrecadado recursos para a entrega de kits de higiene e limpeza em comunidades carentes, além de Caixas de Ternura para que crianças consigam passar pelo momento de isolamento com atividades lúdicas, recreativas e que lembram a importância do cuidado. Em algumas localidades, parceiros têm proporcionado também a entrega de cestas básicas. A estimativa é que a ação seja levada a pelo menos 10 municípios nas regiões Sudeste, Norte e Nordeste, alcançando 10 mil crianças. Além disso, a Visão Mundial Brasil tem feito parcerias com empresas privadas para o alcance de ainda mais famílias em situação de vulnerabilidade durante a pandemia.

CLIQUE AQUI para conhecer o relatório “COVID-19 Aftershocks” (em inglês).

ACESSE o Plano de Resposta da World Vision International à Emergência da COVID-19 (em inglês).