“Vim porque as meninas merecem sonhar”, diz pai de família venezuelana refugiada no Brasil

Produtor rural chegou a Roraima há 4 meses em busca de melhores oportunidades. Suas filhas são atendidas por projetos apoiados pela da Visão Mundial, onde brincam e aprendem o português

Era noite. Johams Seijas (34) pediu que suas filhas fossem até o quarto e pegassem apenas o mais importante para elas. A família lotou o porta-malas do carro, trancou objetivos, sonhos e muita gente querida no passado e partiu.

Trinta e duas horas de viagem depois, o produtor rural que trabalhava a maior parte do seu dia para garantir uma vida confortável para a esposa e duas filhas, chegou a Pacaraima, no estado de Roraima, em busca de um recomeço. A decisão de deixar a Venezuela, que vive uma grave crise política, econômica e social, não foi fácil. “Pensei muito. Vim porque minhas meninas merecem sonhar”, explicou.

Carro usado pela família para fazer a travessia entre a Venezuela e o Brasil. Ainda hoje, o veículo é usado como abrigo para as meninas dormirem. “Mais conforto para elas”, diz o pai

Há quatro meses, a família foi acolhida na Igreja Batista Regular, comandada pelo pastor Gedeão Vasconcelos. Ali, receberam os primeiros cuidados e orientações para viver no Brasil. Reyna (10) e Ruth (5), suas filhas, foram recebidas pelos projetos que a Visão Mundial apoia no local. Lá elas brincam, fazem as refeições, participam de atividades e aprendem o português. A mais velha já fala perfeitamente o idioma do país que os recebeu.

O pai ainda sofre com a saudade que as meninas sentem de tudo que deixaram para trás. “A pequena sempre pergunta quando é que ela vai poder dormir de novo no quarto dela”, conta Seijas emocionado. Enquanto aguarda seu processo de interiorização, a família de classe média vive hoje em uma barraca improvisada de lona.

Ruth, de 5 anos, no interior da barraca de lona onde vive com os pais e a irmã mais velha.
Na barraca improvisada, a família guarda os poucos pertences que trouxeram da Venezuela.

Os Seijas integram o grupo dos mais de 160 mil venezuelanos que entraram no Brasil até o mês de Julho deste ano. De acordo com a “Operação Acolhida”, criada pelo Governo Federal em parceria com agências da ONU e organizações da sociedade civil, 150 pessoas por dia solicitam um status oficial de refugiado.

Em parceria com o UNICEF, a Visão Mundial atende em espaços amigáveis em Pacaraima, Boa Vista e Manaus 3.093 mil crianças e beneficia diretamente 4.203 mil famílias. O principal objetivo do trabalho nessas regiões é garantir os direitos de proteção à infância, além da prevenção a qualquer tipo de violência.

“O apoio da Visão Mundial foi muito importante para as meninas. Elas brincam com outras crianças, comem, aprendem, cantam, dançam. Fico tranquilo porque sei que estão protegidas”.

Imagens do projeto apoiado pela Visão Mundial que acolheu Reyna e Ruth.
Nos projetos, as crianças venezuelanas brincam e aprendem o português
O principal objetivo do trabalho da Visão Mundial é garantir a proteção das crianças

Sempre que fala de sua vida no Brasil, apesar de tantas dificuldades, o produtor rural enxerga o lado positivo da experiência. “Prefiro pensar que há males que chegam para o bem. Eu já me preocupei e chorei muito. Hoje estou feliz e calmo. Vejo que tudo isso me aproximou de Deus e da minha família. A minha fé me mantém forte para seguir lutando para garantir que minhas filhas vivam cada etapa de suas vidas com plenitude e sejam muito felizes”, conclui.

Quer contribuir com os projetos com refugiados venezuelanos que a Visão Mundial apoia? Clique AQUI.

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