Projeto financiado pelo governo dos Estados Unidos e desenvolvido pela Visão Mundial promove a inclusão de refugiados venezuelanos no mercado de trabalho brasileiro

O ano era 2018 e a América Latina vivia o ápice da crise migratória que afetava a Venezuela. Um número maciço da população venezuelana cruzava as cidades fronteiriças fugindo da pobreza, da falta de serviços públicos e da escassez de bens de primeira necessidade. Os países vizinhos começavam a sofrer os reflexos de um dos maiores êxodos da região. De lá para cá, pouca coisa mudou e o cenário da migração continua crescente e desafiador.

Em março de 2018, a ONG Visão Mundial passou a atuar localmente nas cidades de Boa Vista e Pacaraima, estado de Roraima, a principal porta de entrada na rota migratória para o Brasil. De acordo com a Plataforma de Coordenação para Refugiados e Migrantes da Venezuela (R4V), existem atualmente 224.102 venezuelanos no Brasil. Destes, 135.033 solicitaram refúgio e 104.858 têm visto temporário ou definitivo de residência no País.

Nos últimos dois anos, a Visão Mundial Brasil tem prestado assistência às famílias venezuelanas que buscam refúgio e oportunidades para reconstruir a vida graças ao apoio de importantes parceiros como governos, igrejas, instituições e a sociedade civil. Nos projetos executados em parceria com o UNICEF, por exemplo, a Visão Mundial pretende apoiar mais de 19.000 famílias, implementando e monitorando as atividades de 10 Espaços Amigáveis que beneficiam 22 mil crianças migrantes em Boa Vista, Pacaraima e Manaus.

A maior operação da Visão Mundial Brasil em resposta à emergência da crise migratória foi iniciada em setembro de 2019. Na ocasião, a organização assinou um contrato com o Bureau of Population, Refugees, and Migration (PRM) para executar o projeto Protecting vulnerable Venezuelans in Brazil through Livelihood Assistance (Protegendo venezuelanos vulneráveis no Brasil por meio de assistência à subsistência), que consiste em fornecer assistência à subsistência e aumentar a renda familiar de 7.200 venezuelanos vulneráveis, entre 18 e 35 anos, que vivem nas cidades de Boa Vista (RR), Manaus (AM) e São Paulo (SP).

O projeto financiado pelo governo dos Estados Unidos conta com o apoio da World Vision United States e terá duração de dois anos. Uma equipe nacional de 32 colaboradores irá trabalhar em três eixos principais: Empregabilidade, Empreendedorismo e Envolvimento do Setor Privado. Os migrantes venezuelanos inscritos no projeto serão beneficiados com orientação laboral para aumentar a renda familiar; capacitação técnica para o desenvolvimento de vistos e currículos, promoção de habilidades, como aulas de língua portuguesa; treinamento vocacional e serviços de inclusão profissional no mercado de trabalho formal.

Daniel Pereira, gerente do projeto na Visão Mundial Brasil, conta que “o desafio dessa iniciativa é encontrar nas cidades onde vamos trabalhar as oportunidades adequadas a esses refugiados, promovendo inclusão e diversidade no mercado de trabalho brasileiro”. Ele continua: “A importância de trabalhar o eixo da empregabilidade para refugiados e migrantes venezuelanos adultos, do ponto de vista da Visão Mundial, é que indiretamente estamos trabalhando para a proteção da criança como um todo. Fortalecendo os meios de vida das suas famílias, consequentemente, geramos um ambiente mais seguro para o desenvolvimento e proteção das crianças.”

Um dos mais importantes diferenciais do projeto de empregabilidade e empreendedoris- mo para refugiados e migrantes venezuelanos é a possibilidade de mobilizar empregadores brasileiros para a contratação dessas população. A Visão Mundial realizará workshops de apresentação do projeto em várias cidades do Brasil com o objetivo de sensibilizar empresários para a causa da migração e apoiá-los na criação e implementação de políticas trabalhistas para refugiados. Para isso, uma das ferramentas oferecidas pela Visão Mundial será um selo de reconhecimento e qualificação especial para as empresas que incluírem refugiados em seus quadros de funcionários.

Para Luis Corzo, gerente de Resposta Humanitária da Visão Mundial Brasil,  o projeto representa a oportunidade de apoiar os venezuelanos para melhorar a condição e o acesso a oportunidades de geração de renda, alcançando assim a melhoria das condições de vida de adultos, e principalmente, das crianças que dependem dessas famílias migrantes.

“Estamos ansiosos para apoiar os migrantes em maior vulnerabilidade, para descobrir e melhorar suas habilidades. Isso vai gerar uma integração que não só resultará em lucro para eles, mas também, para a sociedade em que decidiram se integrar e que podem ajudar a desenvolver”, relatou Corzo.

Exercer um trabalho, além de ser um apoio financeiro, também pode ser considerado uma fonte de bem-estar e equilíbrio psicológico para todas as pessoas. Em contrapartida, nos contextos de refúgio, uma situação de desemprego pode ser agravante, sendo muito comum surgir entre os refugiados crises de ansiedade e depressão, provocadas pela falta de condições de suprir as próprias necessidades ou da família, levando pessoas refugiadas a um quadro de baixa autoestima e ao isolamento social.

O projeto financiado pelo PRM e desenvolvido pela Visão Mundial Brasil, traz excelentes oportunidades para evidenciar o impacto positivo no contexto do empreendedorismo social para adultos migrantes. O resultado direto desse trabalho é aumentar a renda familiar dos venezuelanos que vivem no Brasil, mas principalmente, recuperar a dignidade de seres humanos em situação de risco extremo, e devolver a cidadania a mulheres e homens refugiados, que sonham com um novo lar e um futuro seguro e promissor.

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