Ana Paula: “Se não fosse essa cesta básica, eu não saberia como cuidar dos meus filhos”

A Cidade Estrutural é uma região que, há 20 anos, cresceu no entorno de um lixão em Brasília (DF). Hoje, embora seja reconhecida como uma região administrativa e não receba mais dejetos, ainda sofre com a falta de estrutura. Na região, o fornecimento de água chega a ficar interrompido por até cinco dias seguidos – fato que contribui diretamente para os altos níveis de contaminação pela COVID-19.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Brasília, a Estrutural é a região com a maior incidência de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus entre as áreas de baixa renda no Distrito Federal. É no bairro Santa Luzia, dentro da Cidade Estrutural, que Ana Paula, de 43 anos, mora com os filhos e o esposo. E é nessa situação de vulnerabilidade recorrente que, em meio à pandemia, ela luta para garantir o alimento diário da família.

Ana Paula teve seis filhos, mas apenas dois continuam morando com ela – Kauã, de 5 anos, e Karina, de 10. Os outros, são criados pela avó, mãe de Ana Paula. Por conta da epilepsia da filha, ela conseguiu um auxílio do governo que lhe permite comprar os medicamentos e um pouco de comida. Atualmente, apenas o esposo, Cosme, é quem consegue levar alguma renda para casa, com o trabalho de reciclagem. Mas, desde o início da pandemia, o risco de contaminação e a escassez de produtos recicláveis tem feito com que o dinheiro que consegue mal dê para comprar a “mistura”.

“Se não fosse essa cesta básica eu não saberia como cuidar dos meus filhos”, afirma Ana Paula sobre as cestas que recebeu da Visão Mundial, doadas pela XP Investimentos e distribuídas na Cidade Estrutural em parceria com o Impacto Instituto. A família de Ana Paula faz parte do grupo de 1 mil famílias em Brasília que foram alcançadas pela ação. Durante três meses, elas receberam uma cesta básica mensal, em uma tentativa das organizações de reduzir a insegurança alimentar que se agravou junto com a pandemia.

Para Ana Paula e Cosme, as cestas que receberam durante os últimos três meses foram providenciais. “A benção está aqui dentro de casa. Desses três meses que eu estou recebendo, até agora, nunca me abandonou. Vou sempre agradecer a Deus em primeiro lugar e a vocês”, reforça Ana Paula. “Não sou só eu não. Todos aqui de Santa Luzia são pessoas carentes. Eu quero agradecer ao Instituto Impacto e à Visão Mundial por estar me ajudando e ajudando as famílias que estão precisando”, completa.

Conheça a história de Ana Paula, Cosme, Kauã e Karina:

Texto: Ana Luz / Visão Mundial Brasil
Imagens: Bruno Kennedy / Visão Mundial Brasil