Luciene: “A gente, sem trabalho, não consegue alimento; só através de doação mesmo pra gente comer”

Luciene representa boa parte das mulheres brasileiras que lutam para superar as dificuldades adicionais trazidas pela pandemia de COVID-19. Aos 37 anos, é ela a responsável pelo sustento do filho, de 20 anos, e da filha, de 7. Desde que a pandemia começou, ela, que trabalha como diarista, perdeu totalmente a renda. Em uma casa modesta na favela de Paraisópolis, em São Paulo, Luciene e a família dependem de doações para se alimentar e ter o mínimo de dignidade.

“Agora não aparece mais nenhuma faxina. O pessoal tem medo da gente ir na casa, por transmissão, ou até mesmo de eles transmitirem pra gente”, relata. “Quando a gente tem trabalho, a gente ainda tem aquele dinheiro pra comprar a mistura, pra comprar o leite. Mas hoje mesmo, estou sem o leite da minha filha. Cada um ajuda como pode, mas está difícil. A gente, parada, não consegue alimento, só através de doação mesmo pra gente comer”, completa.

Luciene faz parte de duras estatísticas brasileiras. Atualmente, 32 milhões de mulheres são as principais responsáveis pela renda familiar – o que corresponde a 45% dos lares brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também está no grupo das 2,6 milhões de trabalhadoras domésticas que ficaram sem renda devido à pandemia, de acordo com o Instituto Locomotiva.

Junto com o desafio diário de conseguir alimentar a si e a família, ela também luta para garantir o mínimo de proteção contra o novo coronavírus em uma região onde a falta de água é uma realidade constante. “Eu mesma não tenho caixa d’água em casa. Se eu tiver água na garrafa, a gente bebe e usa. Se não tiver, tem que ficar sem mesmo”, comenta.

Na última semana de abril, graças a uma parceria entre a Visão Mundial, a União SP e a União de Moradores e Comércio de Paraisópolis, Luciene conseguiu levar para casa uma cesta básica, um kit de higiene e limpeza, álcool em gel e máscaras reutilizáveis. Assim como ela, 1 mil mulheres foram alcançadas pela ação em Paraisópolis. Ao menos por alguns dias, Luciene e sua família terão o alimento e o mínimo de condições para tentar não entrar também nas estatísticas da COVID-19 no Brasil.

Conheça um pouco mais sobre a história de Luciene: