Patrícia: “Essa doação vai me ajudar muito e, se eu puder, ainda vou dividir alguns itens com outras pessoas que também precisam na comunidade”

Nos 16 anos que Patrícia mora em São Paulo, é a primeira vez que ela precisa recorrer a auxílios para poder levar alimento para casa. Aos 39 anos, ela mora com o esposo e dois filhos adolescentes na favela de Paraisópolis, uma das mais populosas da capital paulista. Ainda antes da pandemia, já havia perdido o emprego de cozinheira, e a solução encontrada foi começar a trabalhar como diarista. Com o início da quarentena, dia após dia viu as oportunidades de trabalho e a renda acabarem.

“Só quem tem renda agora em minha casa é meu marido, que trabalha como zelador”, afirma. Assim como Patrícia, grande parte das 6,5 milhões de mulheres que trabalham como diarista no Brasil estão sem emprego e sem renda durante a pandemia. De acordo com o Locomotiva Instituto de Pesquisa, em cada cinco diaristas no país, duas foram dispensadas pelos empregadores sem receber nenhum pagamento – o que representa um total de mais de 2,6 milhões de trabalhadoras.

A rotina sem escola também tem sido nova para a família de Patrícia, que tem um filho de 12 e outro de 6 anos. “Antes a gente tinha uma rotina, mas agora tudo mudou. Os meninos não têm mais aula, estamos tentando encontrar atividades, ensinar em casa”, conta.

Patrícia foi uma das 1 mil diaristas alcançadas por uma ação da Visão Mundial realizada na última semana de abril em parceria com a União SP e a União de Moradores e Comércio de Paraisópolis. Na ação, foram distribuídas cestas básicas, kits de higiene e limpeza, álcool em gel e máscaras reutilizáveis. As mulheres selecionadas para receber as doações fazem parte da campanha Adote uma Diarista, do projeto Emprega Comunidades, que faz parte da União de Moradores e Comércio da comunidade.

O salário pequeno do marido de Patrícia dá apenas para pagar as contas básicas e comprar alimentos para a família. “As contas, a gente tá driblando, paga o que dá pra pagar, o que não der, a gente vai empurrando. Também tentamos não comprar nada, o salário só dá pra comprar o que precisamos para comer.”

Com a cesta básica e o kit de higiene que recebeu, ela pensa em levar para a frente a corrente de solidariedade. “Em 16 anos que moro em São Paulo, nunca passei por uma situação assim. A gente está fazendo de tudo para sobreviver. Essa doação de hoje vai me ajudar muito com a alimentação e a limpeza da casa. E, se eu puder, ainda vou dividir alguns itens com outras pessoas que também precisam na comunidade”, afirma.