Tatiana: “É desesperador ver crianças brincando na rua enquanto tenho que explicar para meus filhos que eles precisam ficar dentro de casa”

Antes da chegada da COVID-19 ao Brasil, Tatiana costumava ver os filhos apenas no final do dia, quando voltavam da escola, ou à noite, quando era ela quem voltada das aulas. João Pedro, de 4 anos, passava o dia todo na creche. Júlio, de 9, conciliava meio período na escola com outras atividades de ensino durante o dia e a companhia do pai, que está há quatro anos desempregado. Com a chegada e o agravamento da pandemia em Recife (PE), onde moram, a rotina de toda a família mudou.

“Eu passava pouco tempo com eles antes, por conta da rotina mesmo, de trabalho e estudo. Agora, não. A gente passa o dia todo junto em casa, e tem que ter criatividade pra inventar coisa pra fazer”, conta. Aos 28 anos e cursando enfermagem, Tatiana afirma que a maior dificuldade é convencer os filhos a ficar dentro de casa, quanto os amiguinhos estão na rua. “Estou estudando na área da saúde, então já tenho um pouco de conhecimento sobre a gravidade dessa doença. A quarentena aqui no bairro está bem complicada, porque as pessoas não levam muito a sério. É desesperador ver crianças brincando na rua enquanto tenho que explicar para meus filhos que eles precisam ficar dentro de casa. Eles enxergam e querem ir também”, relata.

João Pedro, o filho mais novo, foi o que mais sentiu o impacto da quarentena e do distanciamento social, já que estava acostumado a passar o dia todo na creche e a ver os familiares que moram próximo com bastante frequência. Mas também não tem sido fácil para Júlio, que tem se sentido sufocado e, segundo a mãe, acaba tendo crises de choro de vez em quando. Questionado sobre o que mais sente falta, ele reclama: “A gente não pode mais ir pra rua, brincar de bola. E também não vejo mais a minha professora”.

Júlio, de 9 anos, e o irmão João Pedro, de 4, estão entre as mais de 13 mil crianças que receberam a Caixa de Ternura em todo o Brasil (Foto: Divulgação / Visão Mundial)

João Pedro e Júlio fazem parte do grupo de crianças alcançadas pela Visão Mundial que receberam a Caixa de Ternura – um kit de materiais lúdicos e educativos para ajudar as crianças e as famílias a terem atividades dentro de casa durante o isolamento social. Na Caixa de Ternura, as crianças recebem livros para colorir, lápis de cor, giz de cera, massa de modelar, livros de histórias, materiais informativos para prevenção da COVID-19, um calendário com sugestões de atividades diárias com a família, entre outras coisas. Desde o início da pandemia, já foram entregues 13.085 Caixas de Ternura a crianças de 12 estados brasileiros.

“A gente tem usado muito os materiais da Caixa de Ternura. Toda noite, lemos uma história. Também estamos fazendo as atividades do calendário – já fizemos bolo, a caça ao tesouro foi a atividade que eles mais gostaram até agora”, conta Tatiana. Para ela, que perdeu a mãe quando tinha apenas oito anos de idade, ter esse momento de qualidade com os filhos é essencial. “Tanto eu quanto meu esposo temos essa consciência de que é muito importante estar perto dos filhos, educar, garantir o estudo. Por isso a gente sempre senta com eles, brinca, pinta, lê um livro. Somos nós que temos que cuidar das nossas crianças. E esses materiais que vocês entregaram estão ajudando muito a gente com isso.”

Conheça um pouco mais sobre a história de Tatiana e família: